Diários de Catherine – Era Riven

Tradução e comentários por: Adriana B. Portes.
Sobre a Era Tay e a Era Riven.
Encontrado em MYST II Riven.
Entregue por Nelah na Era Tay.
Deixado sobre a mesa da cela junto com o Livro Prisão.
Escrito por Catherine em Riven.
Descreve eventos que levaram Catherine a ser capturada por Gehn.
Dividido em noventa e quatro páginas pequenas.
Escrito a mão com desenhos.
Capa de couro marrom com borda decorada.
Incluí alguns comentários e especulações.
Esta tradução é livre e cabe correções se necessárias.

Eu vim para Riven só há uma semana. Momentos antes de poder ver alguma coisa o cheiro do lugar me dominou. Com a minha visão parcialmente clareada eu fiquei imóvel, tentando ver além do véu fino que estava sumindo aos poucos. Eu lembrei que respirei devagar e profundamente, sentindo o sabor do ar familiar de Riven, mas não reconheci coisa alguma. Devo ter sida alcançada pelo dardo imediatamente. No começo pensei que só tinha sido picada por um inseto. Estou tentando me lembrar de tudo, mas está difícil. Acho que é por causa da droga. Havia uma voz. Um homem que eu não reconheci estava diante de mim. Era um rivenense, mas estava vestido como um D’ni. Parecia que ele estava falando comigo, mas o veneno estava fazendo efeito. Uma sombra entrou devagar e eu caí no sono. Então ouvi muitas vozes, mas não entendi nenhuma delas, como se tivesse centenas de pessoas cochichando, não consegui acordar. Não tem importância o sonho acabou. E agora estou aqui com Eti. Já faz muitos anos. Não percebi como senti sua falta, foi como um pedaço de mim que eu tinha esquecido. Ela é linda e tão cheia de calor humano. Mas os anos a deixaram com uma ferida que ela não tinha quando éramos crianças. Leia Nota de Catherine abaixo.

Gostaria que ela estivesse mais interessada, parece que só eu faço todas as perguntas. É constrangedor, ninguém me pergunta onde eu estive, ou o que eu estive fazendo. Isto dói, mas entendo. Suas crenças nasceram da ignorância e da opressão. É um povo gentil, mas o ninho deles tem sido destruído e agora eles se agarram desesperadamente a qualquer coisa que possa salvá-los. Mas por que escolheram apegar-se a mim? Estou confusa. Quando criança sempre me senti fora daqui, como se nunca tivesse pertencido a este lugar, não me entendiam, e não consegui me relacionar bem com eles. Mas estou dominada por um intenso sentimento de que devo tudo a este povo e a este lugar. Pensei que nunca iría vê-los de novo, mas estou aqui. Me deram esta segunda chance. Mas segunda chance para quê? Salvá-los? Cumprir as suas profecias? Ser a sua Salvadora?

Os MoietyAtrus gostaria que eu escrevesse tudo que eu aprendi. Posso anotar algumas coisas. Parece que quando Atrus e eu prendemos Gehn em Riven, há muitos anos atrás, nossos atos foram vistos pela maioria dos habitantes daqui. Dois rivenenses até viram o confronto com Gehn na Fenda, eu me transportei de volta para MYST, e Atrus jogou-se no abismo. Claro, não entenderam muito daquilo que viram, mas de alguma forma conseguiram adivinhar que tínhamos ganhado… Que Gehn não era nenhum Deus mas só um fraco impostor, um Deus falso, e que nós o prendemos aqui em Riven. Sempre quis que eles deduzissem esta simples verdade. Mas as conclusões que eles chegaram têm me surpreendido. Como Atrus conseguiu romper com o poder de Gehn, ele deve ser um Deus de verdade. Como um Deus ele me escolheu, a deslocada espiritual do ventre rivenense, para ser sua esposa. Eu estava me transformando em um ser divino e iria sempre reinar sobre Riven. Por isso os Moiety, como eles os chamam, já nasceram em uma sociedade dissidente, inimigos jurados de Gehn.

Não sabia sobre estas crenças a respeito de Atrus e eu, até dois dias atrás. Eti estava, por algum motivo, hesitante em me contar. Não entendo por que, sei que ela não acredita nestas coisas. Claro o resto do povo presumiu que eu estava ciente de minha condição de Deusa, então não fizeram esforço para me informar. Só percebi em uma recente reunião para a qual fui convidada. Sentei na frente de uma caverna clara e lotada enquanto contavam uma história mítica sobre a minha vida, representando a batalha entre eu, Atrus e Gehn na beira da Fenda. Os acontecimentos foram aumentados em grandes proporções. Foi constrangedor e não fui capaz de quebrar a ilusão que é a base da esperança e do propósito deste povo, e que tem dado a eles a coragem de se unir e de se rebelar contra Gehn.

Desde então ouvi sobre outras crenças e doutrinas que evoluíram, o mais perturbador disto é a convicção de que um dia eu retornaria a Riven para me encontrar com eles. Alguns acreditam que eu vou derrotar Gehn, outros crêem que eu os levarei ao paraíso. Não sei como lidar com isso. Eu luto contra isto. Amo este povo, meu únicos parentes, mas eles não vão me amar como um semelhante, o que me machuca. Preferia ser uma escrava a ser sua mestra.

Ao longo dos anos assim como o poder de Gehn cresceu cada vez mais, a população de Moiety também cresceu e eles ficaram mais aptos a se esconderem. Agora moram em um complexo de cavernas ocultas, que Gehn ainda não descobriu. A maior parte dos Moiety cortou completamente o relacionamento com os rivenenses que não quiseram se juntar a eles. Mas espero que não sacrifiquem membros vitais para conseguir tirar o câncer. Até meu pai e Enant ainda estão na superfície sob o domínio de Gehn, e quero muito vê-los, mas uma escuridão passa pelo rosto de Eti toda vez que falo neles.

Desde que a divisão aconteceu, eles têm interferido com a superfície de modo superficial, ocasionalmente sabotando uma das construções de Gehn ou roubando comida dos aldeões. Colocam máscaras e trajes estranhos durante estas curtas visitas à superfície da ilha, e os Moiety levam muito a sério esta fantasia, recusando-se a serem vistos por alguém de fora sem estarem apropriadamente vestidos. Eles têm muito prazer no fato de que as pessoas na superfície ficam assustadas com estas fantasias, e os chamam de maus espíritos ou fantasmas.

Foi durante uma destas expedições, que por sorte eles me resgataram de um dos guardas de Gehn, logo que apareci na ilha. Do contrário tenho certeza que seria levada a Gehn imediatamente. Não tenho dúvida de que ele está me procurando neste momento. Claro agora sei que fui enganada, Atrus não está aqui. No começo, quando percebi, fiquei muito abalada. Agora sou grata. Atrus estaria em extremo perigo aqui. Há também uma silenciosa voz interna, um vestígio ecoando, que quer ele longe daqui.

Acabei de ver uma Era morrer, dando seu último suspiro. Hoje voltei a superfície para ver no que se tornou esta ilha. Tinha esperança de que não seria tão ruim como os Moiety falaram. Foi pior. Eles se acostumaram vagarosamente a decadência constante da ilha, mas eu fiquei abalada. Dos lábios de onde o beijo é mais doce, saíram palavras frias, havia um suspiro frio. O ventre de onde esta criança nasceu, já sofreu a dor e agora sofrerá a morte… Para chegar a superfície, tínhamos que atravessar uma série de portas e corredores selados, escondidos e complexos. Antes de chegar a última porta, me ofereceram uma arma, que aceitei, e uma máscara. Segurei a máscara em minhas mãos por um tempo, pensando no terror que talvez, iria inspirar nos membros da minha família que ainda moravam na superfície, mas percebendo a importância da necessidade de esconder a minha identidade dos olhos vigilantes de Gehn, aceitei a máscara. Então juntos nadamos um pouco e emergimos na superfície do mar embaixo de uma rocha. O sol brilhante fez meus olhos doerem, mas respirar o ar fresco e rico foi estimulante depois de ter passado estas semanas nas cavernas úmidas e mofadas.

Os dois homens ficaram silenciosos. Só fizeram gestos um para o outro. Nós três nos movemos furtivamente do esconderijo e subimos até o topo do planalto. Paramos próximo a beirada de uma área densa e demasiadamente grande de floresta. Eles olharam através de algumas folhas um instante e voltaram para mim, como se estivessem esperando um comando. Mas achei difícil responder. De fato achei difícil até mesmo me mover. Estava cheirando, ouvindo e respirando a minha infância. Isto passou por mim durante alguns segundos, mas depois de um momento todo o sentimento sumiu. Só houve uma dormência. Não ficamos na superfície por muito tempo, mas tempo o bastante para ver o pior. Riven, que antes era apenas uma ilha, agora estava dividida em cinco pedaços separados, cada uma mais ou menos com oitocentos metros de distância da outra. Quatro destes pedaços Gehn declarou como sendo de seu domínio exclusivo. Apenas seus ministros e militares pessoais têm acesso permitido as ilhas. Do local onde eu estava na beira da floresta, conseguia ver três destas ilhas. As suas belezas antigas foram roubadas e agora estavam cheias com as construções de Gehn. É raro que os Moiety visitem estes lugares altamente vigiados. Há mais uma ilha que não posso ver, que aparentemente e vagarosamente se afastou a uma distância tremenda. Os Moiety não sabem muito bem o que existe nesta ilha, só que era o lugar onde existia a Grande Árvore. Talvez eu terei uma chance de vê-la.

A floresta está localizada na ilha que os moradores da superfície e os Moiety ainda chamam de Riven, mas eles ainda também se referem a todo o seu mundo como Riven. É nesta ilha que se localiza a sua aldeia, que mudou drasticamente, é a única província restante deste povo, apesar de Gehn tê-la declarado como dele, e sua influência pode ser vista em todos os lugares. Claro que sei o motivo da ilha ter sido dividida, os Moiety não…

Gehn escreveu este lugar. Este lugar vai morrer, assim como todas as Eras de Gehn eventualmente morrerão.

Eu não sinto nada hoje. Não sou nada. Moro em uma caverna em um mundo que está morrendo, habitado por pessoas que… Eles não sabem se relacionar com uma Deusa. Aqui ainda sou marginalizada. Ficam cochichando entre eles. Falando de minha coragem durante a minha excursão até a superfície, como andei através da ilha, valente e sem medo! Não me conhecem… Até Eti está sem jeito perto de mim. Tem momentos que ela não se incomoda e aí sou de novo somente Katran. Mas em outros momentos sou algo mais… Estou com medo. Estou com um vazio de sentimentos. Hoje não sinto afinidade com meu povo. Nem estou incomodada com a adoração deles por mim. Não odeio Gehn. Não sinto nada! Pelo menos Nelah está por perto.

Estou com raiva… Estou… Gehn está fazendo e escrevendo Livros! Gostaria que eles tivessem me contado antes. Atrus deveria ter percebido que isto aconteceria, claro, Gehn escreveu nesta Era, tudo sobre o material necessário para desencadear a Arte dos D’ni para fazer Livros, assim como o fez em todas as outras Eras. Ele está tentando escrever a saída daqui. Nós não o prendemos, nós somente o atrasamos! Esta Era tornou-se a sua fábrica e as pessoas as suas máquinas, todas trabalhando para que ele consiga o seu objetivo de ser um Deus ! Para levar a frente a nobre causa D’ni. Até agora ele não conseguiu fazer um Livro totalmente funcional.

Atrus nunca acreditou em destino, mas não sei do que mais podemos chamar. É perfeito demais. É muita coincidência. Eles escutam todas as minhas palavras, mesmo não entendendo-as. Eu sou a sua esperança. E agora voltei. Eu devo isso a eles. Não há outra escolha.

Faz muito tempo desde a última escrita… É difícil reconhecer, mas achei a Fenda Estelar. Ela está localizada na ilha com a grande cúpula. Os rivenenses chamam esta ilha de Allapo, que significa poço de água, mas os Moiety a chamam de Allatwan que significa poço de estrelas. Deixaram Atrus escapar uma vez desta Era e não deixaram uma porta aberta atrás de nós, ela agora está selada com uma camada pesada de ferro. Um simples telescópio foi colocado sobre uma janela de observação trancada, o código dela foi adquirido pelos Moiety antes de minha chegada. Nos primeiros dias os Moiety procuraram uma saída de Riven, pensaram em reabrir a Fenda Estelar, descobriram um pequeno freio mecânico que servia para evitar que o telescópio batesse na janela do portal. Mas, no final, decidiram não tentar mais abrí-la. Detesto pensar naquilo que teria acontecido com eles se não tivessem parado de mexer na Fenda. Eu os tenho ensinado a ficarem longe dela. Tenho quase certeza que, com o estado decadente das ilhas, a abertura da Fenda seria um desastre.

Nos dias imediatamente após o confinamento de Gehn em Riven soube que ele tentou navegar nas estrelas embaixo da Fenda Estelar, porque ele viu o Livro de Ligação para MYST cair das mãos de Atrus naquele mesmo espaço. Para isto ele teria jogado na Fenda pessoas, supostos transgressores da lei, para observar o destino delas. O telescópio que ainda existe lá é um que ele construiu para ver essas cruéis experiências. Disseram que eles não morreram, mas o que aconteceu com eles continua um mistério, parece que as limitações do telescópio não o deixaram ver o fim deles.

O campo estelar abaixo da Fenda não é o que parece. É um espaço suave, tão hospitaleiro à vida como um rio que fluí. Atrus me explicou isto depois de ter caído nele. Contudo, mais do que isto, nós nunca conseguimos entender, nunca fomos capazes de concluir sobre a sua origem, mas as visões me dizem que nasceu da vontade do Criador, talvez para um grande propósito, que ainda não podemos entender. Ainda lembro das palavras de Atrus em seu diário. Percebi no momento que caí na Fenda que o Livro não seria destruído como planejei. Continuou caindo naquela imensa área estrelada… Deve haver uma razão maior por trás disto.

Esqueci de mencionar isto antes… O formato único de um dos grandes punhais que apareceu durante a nossa fuga de Riven, o mesmo punhal que fica na posição vertical em um dos lados de Allatwan tem sido adotado pelos Moiety como símbolo de sua causa. É um símbolo sagrado para eles. É a representação de toda a sua doutrina e de mim. Desrespeitar este símbolo é equivalente a um sacrilégio.

Os Moiety tem a sua própria explicação mítica a respeito de sua origem repentina. Não contei para eles que escrevi nesta Era sobre isto, e nem sobre todos os outros punhais. É estranho, como uma religião nova é tão inflexível, mesmo com sua própria Deusa. Tentei dissuadí-los da noção de que símbolos contém tanto poder. O inimigo usa esta paranóia contra eles mesmos, estão com medo dos símbolos de Gehn e estão aterrorizados pelo uso do Wahrk. Mas não querem ouvir isso de mim. Talvez minhas tentativas até tenham levado os membros mais novos dos Moiety a duvidar se sou mesmo Catherine.

Meus raros encontros com os que dizem seguir a Gehn têm sido desanimadores. Esperei ter algum contato com os aldeões da superfície, mas sempre fogem de mim. Mas ouvi de alguns aldeões o que crêem a respeito de Gehn… Depois que nós prendemos Gehn em Riven, ele imediatamente declarou que ele foi o responsável pelos punhais e os colocou pela ilha como lembrança da derrota do povo. Nas conversas nas aldeias contam que isto foi um castigo imposto por Gehn, para marcar o começo de um período de restituição, no final do qual, se eles mostrassem sua devoção, seriam levados a uma nova e melhor existência. Vou continuar a procurá-los…

A porta está aberta… Gehn está livre! Gehn tem a habilidade de criar Livros de Ligação que funcionam. De fato ele tinha escrito uma Era antes de eu chegar, mas conseguiu esconder tão bem esta proeza que até agora só os ministros mais chegados sabiam. Não tenho certeza… Talvez ele já tenha escrito outras Eras.

Outras notícias: alguns anos atrás, antes dos Moiety serem forçados a se esconderem, um deles conseguiu roubar o que aparentava ser um Livro teste, que Gehn pretendia destruir, foi parcialmente escrito, mas não funcionou. Mas como o acharam inútil, até agora não tinham me contado. Na época nenhum dos Livros de Gehn funcionou. Mas ao invés de corrigir o problema a sua frente, parece que ele colocou a culpa na madeira impura da floresta de Riven e começou a planejar uma solução mecânica desajeitada, uma complexa série de cúpulas, para remediar os erros de seus Livros. Mas uma das conseqüências desta simples solução era a necessidade de grandes quantidades de energia e os problemas que se seguiram atrasaram o seu sucesso por algum tempo.

Mas no final, ele conseguiu terminar o seu trabalho e se vincular à Era que escreveu. Mas ele conseguiu esconder muito bem o seu sucesso. Até agora, por um motivo ou outro, por orgulho talvez, ele modificou as cúpulas em forma de pequenas janelas, que torna óbvio o fato dele estar usando as cúpulas para soprar vida dentro de seus Livros meio mortos. Talvez ele pretenda nos ludibriar usando os Livros nas cúpulas! Não seria ele tão ingênuo? Ele acha que iríamos engolir, sem perceber, esta isca de suicídio? Mas ele não deveria saber que temos um dos Livros dele, o Livro roubado, o Livro queimado.

Tenho estudado o Livro queimado. A Era que descreve seria inadequada como um novo lar para os Moiety, deve ser modificada. Eu deveria sonhar… Tenho pedido a um grupo que descubra os códigos das cúpulas para conseguir energia para o Livro queimado. Não acho que Gehn vá interferir, ele vai deixar a isca. Comecei escrever a Era Moiety. Agora preciso pegar o segundo Livro de Gehn.

Há tensões e pesadelos. A tensão nubla a minha visão. Nelah e Eti ficam por perto. Muito tem acontecido. Quase tudo está preparado. Roubamos outro Livro, mas estou preocupada, Gehn vai sentir a sua falta. Descobrimos também os códigos para entrar nas cúpulas. Ainda não descobrimos como energizá-las. Energizando o nosso Livro queimado com as cúpulas, poderemos nos vincular para esta Era. Mas só vamos ter acesso às cúpulas por um curto período de tempo antes de sermos descobertos. Por isso só podemos, usar as cúpulas uma vez, preciso descobrir uma outra maneira de fazer os Livros funcionarem.

Todas as imagens dos portais nos Livros de Gehn parecem ter a mesma doença, sem energia ficam pretos. Me faz pensar que talvez, fosse possível clarear a visão só com… Vou escrever a substância na Era Moiety. Tudo está pronto, agora tudo que podemos fazer é esperar por uma palavra de nossos espiões que estão vigiando as cúpulas para ver se Gehn as usa. Quando ele usar, poderemos ter acesso a uma de suas cúpulas com tempo suficiente.

Depois de nos vincularmos a Era que escrevi, só temos que localizar a substância do Livro janela e aperfeiçoá-la ou adaptá-la. Colocando esta janela em cima da imagem do portal conseguiremos usar os Livros e fazê-los funcionar. Isto vai me permitir usar o segundo Livro roubado, e voltar para Riven com mais Livros janelas. Aí não dependeremos mais das cúpulas desajeitadas de Gehn. Eu dou risada destes planos, pareço com Atrus

Estou arriscando a minha vida, mas não sinto medo, só ansiedade. Talvez a fonte dos meus pesadelos, seja a Fenda. Como uma grande ferida que está aberta, mancha o solo de Riven com sangue. Seguro a faca Moiety… Ás vezes ficam tão altas… Por parte deles, os Moiety têm plena fé que vou completar a minha missão e vou levá-los para um mundo melhor. É a realização de suas profecias, mas também estou tensa e com medo. Não sei o que vão pensar ou fazer se eu falhar.

Conseguimos! Parece ser muito bom para ser verdade. Sinto como se tudo fosse um sonho. Já trouxemos todos os Moiety para esta nova Era Moiety. É linda e estou satisfeita. Afinal meu povo viverá em segurança e com conforto. Eles ficam debaixo do céu aberto, sem medo, e deslumbrados com sua liberdade. Eles estão felizes, eles chamam o lugar de TAY. Ainda há muito trabalho pela frente. Não estamos protegidos ainda. A única maneira completa de proteger este lugar é destruir o Livro, que liga Riven com Tay. Mas não sei como trazê-lo para os Moiety, eles ficariam extremamente receosos de destruir a única ligação com Riven. Também compartilho esta hesitação, estaria cortando a minha única conexão. Mas por causa deles isto deve ser feito.

Estou ansiosa por saber se nossas atividades têm levantado alguma suspeita em Gehn, se for o caso devemos agir logo. Mesmo assim, sinto que agora somos invulneráveis. Amanhã eu mesma volto para Riven para ver a reação de Gehn. Mas esta noite finalmente eu descanso.

Nota de Catherine. Escrevo com pressa na minha prisão… Nelah vai devolver seu livro que os Moiety interceptaram na sua chegada. Depois de interrogá-la eu concluí que ele foi escrito por Atrus por um motivo muito específico. Gehn vai querer usá-lo… Mas talvez ele suspeite. Se você achar minha prisão, ainda vai precisar do código para me libertar. Gehn o guarda em seu escritório. Aí eu suponho que devemos mandar um sinal para Atrus. Acho que sei como poderia ser feito. Mas não mande o sinal até que eu esteja livre.

Observações sobre o Diário.

Aparentemente os rivenenses não ficaram revoltados contra Atrus e Catherine por eles terem deixado Gehn em Riven, mesmo que este tenha continuado o reino de opressão contra os habitantes. Na verdade a ação do casal criou involuntariamente os Moiety, que uniram-se contra Gehn.

Não sei exatamente onde Catherine foi buscar inspiração para o conceito dos punhais em Riven, talvez na própria história pregressa dos D’ni. Há um desenho de um punhal similar no livro MYST Reader – página 532 – que possivelmente trata-se do punhal que A’Gaeris carregava. O símbolo do número cinco invertido, no punhal de Riven é uma decoração extra criada por Catherine. De qualquer forma Gehn utiliza-se dos punhais para aterrorizar os habitantes da ilha. Note também que há vários modelos de punhais espalhados por Riven.

A palavra Wahrk pode ser vista com duas grafias. Mas somente a grafia de Catherine é considerada correta. Já que no diário de Gehn, na versão internacional do jogo, a palavra apareça como Whark. Para aqueles que nunca jogaram MYST II Riven, o Wahrk é uma criatura aquática muito grande, que lembra uma baleia, em inglês Whale. O Wahrk é carnívoro e facilmente fica irritado, tornando-se muito violento. A criatura é usada por Gehn em um ritual macabro, onde os possíveis transgressores nativos, são comidos vivos no centro do lago da Ilha Selva.

Acredito que depois do último trecho do Diário, Catherine deixou a Era Tay e voltou a Riven, quando deve ter sido capturada por Gehn. Quando o jogo começa Catherine já está detida na Ilha Prisão.

Diários de Catherine.

Diários de Catherine. Estes diários são uma fonte importante de informação, principalmente nos jogos MYST II Riven e MYST IV Revelation. Nos diários é possível ler desde acontecimentos privados até relatos sobre a construção de determinadas Eras. Em particular no Diário de Catherine encontrado em MYST II Riven é possível entender um pouco da confecção de Eras. Este Diário também foi utilizados pelo DRCD’ni Restoration Council, para entender a história dos D’ni.

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